domingo, 14 de julho de 2013

QUEBRA DE PARADIGMAS EM MACROFOTOGRAFIA E SUAS DIFICULDADES.

A maioria das dicas existentes de macrofotografia no Brasil vêm de técnicas antigas retiradas de livros europeus das décadas passadas, quando se usavam equipamentos com menos recursos e clima mais frio que no Brasil, o que de certa forma tem grande diferença na prática em relação à nossa realidade fotográfica, por sorte existem novos formadores de conteúdo, a exemplo do Tácio Philip (www.macrofotografia.com.br), que melhoram estas informações inclusive com publicação de livros e revistas sobre esse tema, assim relato aqui algumas dessas técnicas que pelo menos comigo não funcionam ou não é muito produtiva.

SEMPRE USAR TRIPÉ:
Não concordo, o uso de tripé mais atrapalha do que ajuda, conforme as seguintes desvantagens:
  • Demora muito para se preparar, alinhar, ajustar e clicar, com isso a maioria dos insetos vão embora, só conseguimos fotografar com o tripé os poucos insetos que ficam parados e como o nosso clima é bem quente isso aqui é muito difícil de acontecer pois os insetos logo ficam bem ativos. Talvez nas primeiras horas da manhã consigamos alguma coisa, mas por muito pouco tempo, pelo menos aqui na Bahia 7:00am o sol já está muito quente e os insetos à 220v;
  • É um trambolho, no ajuste das pernas mexe em tudo que é arbusto e folhas, espantando e assustando os insetos;
  • Peso demais, carregar um bom tripé pela mata por algumas horas faz se arrepender de tê-lo levado;
  • Com o uso do flash você passa usar velocidades maiores o que na maioria das vezes segura bem as “tremidas”, sem falar que as lentes mais modernas tem IS (estabilizador de imagens) que ajuda muito;
  • Ângulos críticos, muitas vezes o inseto está em alturas muito pequenas ou dentro de arbustos que o uso do tripé se torna impraticável, mesmo os mais caros e com recursos.
É certo que quando é possível, o uso do tripé é fantástico, permite usar velocidades menores e com isso a fotometria fica bem melhor, conseguindo fundos mais claros e composições mais harmônicas, assim deixo sempre um tripé no carro e caso seja possível ir busca-lo vou correndo e torcendo para o inseto não ir embora rsrsr.

FOCO SEMPRE NO MANUAL:
Esse é outro ponto controverso, usando as lentes Canon 100mm ou a 180mm (o mesmo acontece com a Nikon ou Sigma 105mm) sempre uso o foco automático, estas lentes permitem mesmo no automático ajustar manualmente o foco, assim faço o pré-foco pelo anel e com o movimento da cabeça, quando o foco está próximo aonde desejo aperto o botão de disparo da câmera pela metade e o automático faz o ajuste final, fico então aguardando o sinal sonoro e piscando em vermelho no visor para terminar o disparo no botão, isso acontece em 90% de minhas fotos e o resultado é bastante proveitoso, lembro que tudo isso ocorre em 1 ou 2 segundos, é tudo muito rápido e prático com o tempo.

Claro que existem lentes sem foco como as MPE-65mm, invertidas e com foco lento, assim neste casos é necessário a prática do foco com o movimento da cabeça e disparo rápido, que é uma das coisas mais complicadas em macrofotografia.

FIQUE PARADO E ESPERE OS INSETOS VIREM:
Não faço isso mesmo, acho pouco produtivo e monótono, ando sempre muito devagar e olhando com calma todos os lugares, claro que quando me deparo com arbustos com flores acabo passando um tempo parado mas normalmente cubro boas áreas a procura dos bichinhos.

Quando a idéia é fotografar insetos voadores, achar uma flor de bromélia ou um arbusto florido é muito bom, funciona bem com borboletas e abelhas mas neste caso conte com a sorte.

EQUIPAMENTO MACRO PODE SER BARATO:
Mentira, infelizmente em macrofotografia o que é bom é caro, se você busca qualidade de iluminação e nitidez nas fotos se prepare para gastar, as lentes são muito caras e os flashes macro seguem o mesmo conceito, um kit com uma lente macro+ring flash custa fácil em torno dos US 2.500,00.
O que pode ser adaptado como lentes invertidas, filtros e rebatedores acabam tendo bons resultados e eventualmente resultados melhores, mas sob a pena de ser bastante trabalhoso e com índices de aproveitamento muito baixo, normalmente com esse equipamento improvisado 1 a cada 10 fotos ficam aceitáveis tecnicamente (nitidez, foco, iluminação, profundidade de campo, etc) enquanto com o equipamento específico o aproveitamento técnico fica em 1 para 3, o que é muito bom.

Conselho que dou, economize seu dinheiro e gaste com lentes macro que vale a pena rsrsrrs.

FOTOS MACRO SÃO VALORIZADAS.
Quem dera..., muita pouca gente dá valor a fotos macro, se você espera ganhar dinheiro com elas, esqueça, só dá valor a fotos desse tipo de foto são os biólogos, outros fotógrafos de macro e sua mãe. Ninguém coloca na parede da sala uma foto de uma aranha predando uma mosca.

FOTÓGRAFOS DE MACROFOTOGRAFIA SÃO RESPEITADOS:
Muito pouco, primeiro que seus vizinhos e amigos te acharão maluco, não entendem você ficar olhando para arbustos procurando coisas invisíveis ou acordar de madrugada para fotografar moscas e formigas ao invés de modelos ou por-do-sol. Suas fotos não serão classificadas em concurso de temas abertos e raramente será chamado para exposições coletivas, em compensação em concursos com temas de natureza serão bem valorizados e fortes concorrentes. Felizmente em comunidades sobre o tema sempre encontrará pessoas legais e os estudantes e professores de biologia ficam loucos quando vêem suas fotos.

Não quero aqui desestimular os pretensos fotógrafos, mas é importante saber das dificuldades e não se desmotivar com elas, pois fatalmente vão acontecer e para ter sucesso neste tema tem de passar por cima destas coisas.

Sei que pode ser polêmico o que disse, mas realmente é o que acontece.

Para não perder o costume segue algumas fotos que fiz nos últimos dias: